brasileiros como “Sociedade dos Poetas Mortos”, narra um drama
que se desenrola em meados de 1959, num internato masculino chamado Academia Welton. Tem como temática principal um modelo de escola marcado por concepções de tempo adequado a cada função e espaço racionalizado, aproveitando para fins de educação
tradicional. A história se inicia com uma solenidade, na qual assistimos a
entrada de alunos, impecavelmente vestidos de forma clássica e austera. Entram
por um corredor central e passam pelos presentes empunhando estandartes com o
brasão da instituição. O tom solene é reforçado pela entonação de um hino
escocês indicando a valorização das heranças colonizadoras.

Nas primeiras cenas, o diretor da instituição, profere um discurso, enfatizando os cem anos
de fundação daquele lugar, com garantia de um ensino apoiado em princípios de
tradição, honra, disciplina e excelência. Esses princípios justificam a escolha
dos pais em enviar seus filhos aquela escola que é concebida como uma condição
para o ingresso às melhores universidades.
Em seguida, apresenta as credenciais do novo professor, John Keating
(Robin Willians), cuja formação se deu
naquele local e sua profissionalização nas melhores faculdades da Inglaterra. No cotidiano, todos os espaços físicos
auxiliavam para que se estabelecesse o modelo dominador. O estilo pedagógico
adotado, tradicional, produzia um saber específico: o científico, pois cursos
como Medicina, Direito e Engenharia eram valorizados. A Literatura, a Arte
Dramática e os saberes populares postos à margem. Isso fica bem marcado numa
cena em que o aluno Neil (Robert Sean Leonard) não consegue contestar o pai que
exige que deixe as atividades como redator do anuário escolar ou, ainda, quando
o pai aborda-o depois de descobrir que esta participando de uma peça teatral. O
longa metragem mostra-nos espaços definidos para a prática de cada ação, numa
relação binária: dormir-quarto, rezar-capela, comer-refeitório, ler-biblioteca,
higiene-banheiros etc. O relógio da capela e a sineta nos remetem a rigidez,
hora definida, tradição. Outro espaço evocado para privilegiar a tradição
inglesa é a exuberância da natureza: extensos jardins, as árvores altas,
fixando uma identidade que se impôs nas terras colonizadas americanas. As cenas
da arquitetura do prédio e a imagem de um grande lago destacam-se, porque
compõem um ambiente tranqüilo, afastando do movimento urbano. Faz-nos pensar em
condições que impedem qualquer possibilidade de dispersão do objetivo maior: a
concentração de esforços para um desempenho excelente, afastando-os do contato
com as “coisas” da cidade. Porém, notamo-os em cenas de deslocamento de um
estudante a fim de visitar os amigos de seus pais ou, quando se utiliza de uma
bicicleta aproximando-se de outra realidade: a representada pelo movimento de
jovens de um time, o barulho e a coreografia de uma torcida feminina organizada
pelos membros de uma outra escola, onde rapazes e moças compartilham aulas
dadas conjuntas e, também uma festa onde há bebida, jogo e dança. Além disso, a
obra apresenta um internato masculino, onde há divisões de gênero. As mulheres
não participam. As mães apenas aparecem nos momentos de despedida e em cenas
coniventes com o autoritarismo paterno. A razão masculina prevalece sobre a
emoção feminina, representadas no diálogo do aluno Neil com seu pai na escola,
quando esse lhe fala da decepção e tristeza que irá causar à genitora, se
insistir nessas idéias de abandonar o ingresso no curso de Medicina para cursar
Arte Dramática. Esse tipo de idéia coloca ambos como pólos opostos nas
relações, reservando para o ser feminino um lugar com menor poder. A mãe foi
representada como símbolo de mulher a qual permite que o marido use argumentos
para justificar a pressão sobre o filho, obrigando-o a decidir-se
profissionalmente conforme seu desejo. No clímax, Neil élevado à casa do pai,
o qual comunica que será retirado do Colégio e terá que ingressar na Escola
Militar. Nesta cena, a presença materna é frágil, silenciosa e nula, tanto na
expressão como em posições. Devido a essa opressão paterna e omissão materna, o
rapaz impossibilitado de realizar suas metas, comete suicídio. Contrapondo-se a proposta de ensino
estabelecida, o professor Keating introduz um novo ideal pedagógico. Para ele,
a educação deveria se confundir com o próprio processo de viver. Em suas
palavras vemos a manifestação desse ideário: “Carpe Diem”. Notamos, também, o
encaminhamento de suas propostas de ensino que contrastam com as vigentes, as
quais são tomadas pelo diretor como heterodoxas, uma vez que o professor se
utiliza de outros espaços não convencionais para propor atividades diferentes,
buscando por uma convivência mais democrática e afetiva com seus educandos.
Cenas como as que encorajam a subir seus alunos na mesa, falarem alto para
colocar fora o “bárbaro” que habita dentro deles, ou quando os estimula a
arrancar páginas de um livro, referindo-se ao conteúdo destas como
“excrementos”, nos indicam um outro tempo de uma outra concepção de espaço escolar,
baseada em princípios modernos de racionalidade. As atividades da caverna,
inspiradas na Sociedade dos Poetas Mortos, podem ser tomadas como indícios de
transformação nas concepções metodológicas e disciplinares da instituição, além
de serem representações de formas democráticas e autônomas de ensinar e
aprender. Logo, o professor Keating é um novo “modelo” de educador, pois tenta
subverter o currículo padronizado e ensinar os alunos a pensarem por si mesmos.
Seus atos revelam uma concepção de ensino ousada. Percebemos através de suas
atitudes, uma crítica à educação tradicional.
Ele é o representante de um novo ideal pedagógico.
MILLER, George. O Óleo de Lorenzo. Drama de longa metragem, baseado em fatos reais. Estados Unidos. 1992.
George Miller é natural de Chinchila, Queensland . Nasceu na Austrália, em 1945. Produtor, diretor, escritor, ator e editor. Teve várias indicações ao Oscar, entre elas obtendo a premiação como melhor realização de edição Mad Max dois (1981), e como filme animado do ano foi Happy Feet (2006).
O Óleo Lorenzo é uma história verídica de uma família que vive normalmente, até que seu filho Lorenzo Ordone com oito anos de idade, começa a apresentar comportamento agressivo na escola. Seus pais ao receberem queixas dos professores, intrigados com o fato que nunca acontecera antes, levam-no ao médico e recebem o diagnóstico de uma rara doença incurável, a Adrenoleucodistrofia (ADL). Não conformados eles iniciam uma intensa batalha cientifica de persistência, dedicação, fé e amor.
Lorenzo então, começa a desenvolver os sintomas da doença que o deixa surdo, mudo, cego, paralítico, incapaz de engolir e com a morte certa dentro de dois anos. A ADL se caracteriza pelo acúmulo de ácidos graxos saturados de cadeia longa que atinge principalmente as células do cérebro, destruindo a bainha de mielina. Esta por sua vez protege alguns neurônios responsáveis por transmitir estímulos nervosos.
Seus pais inconformados resolvem pesquisar para tentar entender como seu filho único estava morrendo aos poucos. Começa uma verdadeira guerra ao perceber que os médicos e pesquisadores não reconhecem os dados encontrados pelos pais por não terem a devida formação acadêmica. Eles passaram dias e noites pesquisando e perceberam que mesmo obedecendo à dieta dos médicos, Lorenzo piorava a cada dia. Diante disso eles continuam cada vez mais persistentes e descobrem um óleo que misturava dois ácidos graxos insaturados, oléico e erúcico.
Os pesquisadores por sua vez não aceitaram, porque afirmavam que era tóxico para humanos. Os Senhores Ordone tiveram dificuldades de achar alguém que quisesse produzir o seu óleo, mas conseguiram e o usaram em Lorenzo o qual apresentou diminuição dos efeitos. Lorenzo não ficou curado, mas também não houve progresso da mesma.
Os pais de Lorenzo fundaram o “Projeto Mielina” uma fundação que tenta concentrar esforços nas pesquisas sobre as doenças relacionadas. Houve também outras crianças que usaram e usam até hoje o óleo de Lorenzo, não havendo progressão da doença, nem chegando a apresentar todos os sintomas, permanecendo normais até hoje. O esforço, fé, dedicação, amor e coragem não foram em vão, pois milhares de crianças são beneficiadas até hoje. O Senhor e Senhora Ordone foram homenageados por sua contribuição á ciência.
Percebemos que esta obra nos traz um relato dos conhecimentos teológico, filosófico, popular e cientifico. Uma família com base religiosa, que tem fé em Deus traduzida pela esperança. A filosofia de vida traduzida pela perseverança. Que independente da dedução humana se embasa na pesquisa cientifica para buscar a direção para o seu terrível problema.
História verídica, que traz a sociedade um conflito entre a vontade de fazer viver alguém amado e a dura realidade da ciência, com seus objetivos que muitas vezes não se estendem a preservação da vida humana. Existem pessoas que se filiam a ela para ter lucros próprios em nome do bem.
Um drama emocionante por ser baseado em fatos reais, nos leva a uma profunda reflexão de valores pessoais, prioridades, do valor humano. Vale a pena conhecer essa história, pois é uma lição de vida, respeito a ela, ao ser humano e superação de limites em busca do desconhecido. Devemos sempre priorizar as pessoas, porque coisas são coisas, e pessoas são vidas.
2 comentários:
Segue a sugestão de um filme maravilhoso...Tania, lembrei de você...leia as considerações sei que irá gostar...
"ESCRITORES DA LIBERDADE":
breves considerações
O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007)borda, de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Tal filme se inicia com uma jovem professora, Erin (interpretada por Hilary Swank), que entra como novata em uma instituição de "ensino médio", a fim de lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes considerados "turbulentos", inclusive envolvidos com gangues.
Ao perceber os grandes problemas enfrentados por tais estudantes, a professora Erin resolve adotar novos métodos de ensino, ainda que sem a concordância da diretora do colégio. Para isso, a educadora entregou aos seus alunos um caderno para que escrevessem, diariamente, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares. Ademais, a professora indicou a leitura de diferentes obras sobre episódios cruciais da humanidade, como o célebre livro "O Diário de Anne Frank", com o objetivo de que os alunos percebessem a necessidade de tolerância mútua, sem a qual muitas barbáries ocorreram e ainda podem se perpetrar.
Com o passar do tempo, os alunos vão se engajando em seus escritos nos diários e, trocando experiências de vida, passam a conviver de forma mais tolerante, superando entraves em suas próprias rotinas. Assim, eles reuniram seus diários em um livro, que foi publicado nos Estados Unidos em 1999, após uma série de dificuldades. É claro que projetos inovadores como esse, em se tratando de estabelecimentos de ensino com poucos recursos, enfrentam diversos obstáculos, desde a burocracia até a resistência aos novos paradigmas pedagógicos. Em países como o Brasil, então, as dificuldades são imensas, mas superáveis, se houver engajamento e esforços próprios.
Nesse sentido, o filme "Escritores da Liberdade" merece ser visto como apreço, sobretudo pela sua ênfase no papel da educação como mecanismo de transformações individuais e comunitárias. Com essas considerações, vê-se que a educação, como já ressaltaram grandes educadores da estirpe de Paulo Freire, tem um papel indispensável no implemento de novas realidades sociais, a partir da conscientização de cada ser humano como artífice de possíveis avanços em sua própria vida e, principalmente, em sua comunidade.
Para saber mais sobre o filme:
cinemadown.blogspot.com/2007/04
http://br.cinema.yahoo.com/dvd/filme/14178/escritoresdaliberdade
escrito por Juliana Silva Valis
Publicado no Recanto das Letras em 06/09/2007Código do texto: T641978
Giovanna...
Esse filme é realmente apaixonante...Assisti a alguns meses atrás e fiquei maravilhada com a dedicação da professora em prol daqueles alunos com tantos problemas e limitações...
Que bom que se lembrou de mim...
Não me conhece pessoalmente, mas sabe um pouco de mim com exatidão...
bjssss
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